30/06/2008

XADREZ ESCOLAR EM ESCALA MUNDIAL!

O Professor Luiz Loureiro nos brinda com mais um informativo sobre xadrez escolar publicado em sua coluna no site da Federação Paulista. O texto aborda em pinceladas rápidas como ações direcionadas ao implemento do xadrez escolar tornam-se cada vez mais comuns em todos os continentes.

Muito recentemente, várias ações relacionadas com o ensino programado e oficial do xadrez nas escolas públicas, em países muito diversos, me chamaram a atenção de modo bem particular. Apesar de suas naturezas e condições muito distintas, vistas em conjunto, elas me parecem um reforço de percepção significativo do que poderíamos (sem exagero de soar grandiloqüente) denominar de um grande e não articulado “movimento mundial em favor do xadrez escolar”. Não sou inclinado a fantasiar sobre assunto nenhum, e também não me motiva a limitada filosofia de tentar “puxar a brasa para minha sardinha” quando analiso e acompanho o que se passa com a grande mobilização visando oferecer às crianças de escolas oficiais a oportunidade de aprender xadrez! E os leitores interessados poderão conferir no índice de matérias desse colunista, como nos anos recentes têm sido marcantes os esforços de toda ordem e natureza nessa direção. Pois, mais uma vez, registro com grande alegria, mais uma série de projetos desse fundamental trabalho de base, tanto técnica -- para formar jogadores de xadrez-- quanto humana -- para formar cidadãos mais conscientes, solidários e completos!

I. Rio de Janeiro – Brasil.
No dia 11 de junho, próximo passado, foi veiculada a seguinte notícia, entre outros órgãos de comunicação, no Globo(O)nline – Educação.( http://moourl.com/aq0np )
Xeque-mate
Alerj derruba veto do governador e aprova lei que obriga ensino do xadrez em escolas estaduais do Rio
Publicada em 10/06/2008 às 20h20m
O Globo Online
RIO - A lei que torna obrigatório o ensino do xadrez em escolas estaduais do Rio de Janeiro foi aprovada na Alerj nesta terça-feira e deve ser publicada no Diário Oficial da União na próxima semana. O projeto de lei, de autoria do deputado estadual Marcelo Simão, fora vetado pelo governador Sérgio Cabral, mas os deputados derrubaram o veto do governador. Pelo trâmite legal o projeto deve ser novamente encaminhado para a sanção do governador, e se vetado, será promulgado pelo presidente da Alerj, o deputado Jorge Picciani (PMDB).
O deputado autor da lei defende o uso do xadrez nas escolas como uma ferramenta de aprendizado:
"Queremos que nossas escolas sejam capazes de utilizar todos os mecanismos possíveis para melhorar a aprendizagem. O xadrez será um desses instrumentos, já que é um recurso capaz de desenvolver nos jovens a capacidade de concentração, planejamento de ação, raciocínio lógico e memória", afirmou o deputado.
Segundo os estudos já realizados nos Estados Unidos e na Europa, o jogo associa o lazer com o aprimoramento do raciocínio lógico, a tomada de decisão e as atitudes de liderança. Ainda de acordo com o deputado, cada movimento no xadrez requer uma lógica profunda, já que as peças podem ter um valor relativo: há posições em que um cavalo pode valer mais do que uma torre.
"O estudo contínuo de posições de tática e estratégia favorece o pensamento lógico em geral, o que influi bastante sobre os resultados escolares", concluiu Marcelo Simão.
De acordo com o texto, o governo ficará incumbido de promover a divulgação, junto às escolas públicas estaduais, dos benefícios e vantagens da prática do jogo de xadrez no desenvolvimento do raciocínio, além firmar convênios com clubes, associações e federações que pratiquem a atividade do jogo de xadrez, para a difusão da prática nas escolas públicas estaduais.
Como se deduz da matéria, em breve tempo, as escolas estaduais fluminenses terão que oferecer oficialmente o ensino de xadrez a seus alunos. Contudo, como isso será feito na prática (Quantos alunos? Como disciplina complementar, alternativa ou ligada ao programa de Educação Física? Que material será ofertado? Quem dará as aulas? Etc., etc!) ainda está longe de ser explicado e executado. E não somente por discordâncias políticas ou orçamentárias entre o governador e a Assembléia Legislativa, mas principalmente por causa da complexidade natural do processo e a inescapável burocracia dos órgãos públicos. Mesmo assim, o primeiro lance dessa problemática e provavelmente longa partida já foi feito!

II. Paris (França), Idaho (EUA), Moldávia e Somália.
No número de junho da prestigiada publicação francesa EuropeEchecs, um brevíssimo registro editorial, na página 6, confirma minha impressão à respeito da existência de uma verdadeira “escalada mundial” pró-xadrez escolar. Textualmente, está dito:
É um vasto movimento planetário. A cada mês, um país ou uma região, ou mesmo simplesmente um mero município decidem introduzir oficialmente o xadrez nas escolas. Somente nos últimos três meses, temos o caso da Moldávia, do estado de Idaho, nos Estados Unidos, e também da cidade de Mogadíscio, na Somália. Nesse país, situado no “Chifre da África”, a decisão foi anunciada no último dia 23 de abril pelo presidente da Federação Abdi Hassan: “Nos dirigimos sinceramente aos diretores das escolas primárias de Mogadíscio pedindo-lhes que abram suas portas ao curso de xadrez integrado ao programa curricular. Nós colocaremos à disposição das escolas, treinadores habilitados e todo o material de xadrez necessário. Essa integração será efetivada a partir do próximo semestre. Num primeiro momento, 50 (cinqüenta) escolas da capital serão contempladas”.
Quer se trate de país pobre ou rico, ou se use um critério econômico ou ideológico, o xadrez avança em todos os campos. Quase se poderia dizer que há uma comunicação em escala planetária que está perfeitamente “orquestrada e garantida” por milhares de aficionados apaixonados, dirigentes, instrutores, pais e familiares, mídia, etc. Os benefícios para as crianças são agora conhecidos amplamente por todos. No estado de Idaho, desde 20 de março, todas as escolas primárias e secundárias são atendidas: ”Muitas crianças passam seu tempo livre diante de da TV ou usando seus Ipods ou curtindo algo no computador. E assim, eles se isolam mais e mais. Com o xadrez, eles vão aprender a dar e receber, graças a suas regras de cortesia, destacou Deborah McCoy, responsável pela iniciativa desse projeto. Ao oferecer xadrez para todos, Idaho torna-se precursor em solo norte-americano e com importante orçamento associado ao trabalho. E muitos acreditam ainda que esse “boom” será mais benéfico à longo prazo, do que a explosão de “vocações sem amanhã” que ocorreu após Fischer sagrar-se campeão mundial em 1972.(Minha Tradução)
Assim, nessa passagem, verificamos que três países de grandes contrastes entre si, a saber, Moldávia, Estados Unidos e Somália, atuam em convergência ao implantarem o ensino de xadrez em importantes projetos em seus territórios!

III. São Paulo – Brasil
E de uma forma muito concreta, a mobilização em favor do Xadrez Escolar tem um emblema, uma imagem magnificamente expressiva encontrada justamente em São Paulo, como fruto exuberante e resultado de trabalho sistemático de mais de uma década do atual vice-presidente da FPX, José Alberto Ferreira dos Santos. Com sua dedicação abnegada e “fé inabalável” na missão de propiciar uma chance de alegria, aprendizagem e formação a todas as crianças que estão nas escolas públicas, através do ensino do xadrez, Zé Alberto elaborou e administrou novas e complexas formas de promover o jogo e dar destaque à importância de implantar o xadrez escolar. Uma dessas ações foi o convênio com o Instituto Ayrton Senna e outros parceiros (Governo do Estado de São Paulo, Ministério dos Esportes – Projeto Segundo Tempo, etc.), que acaba de reunir (dia 16 de junho) no Ginásio do Ibirapuera quase 1700 alunos oriundos de 180 escolas de 40 municípios para competir limpa, devotada e educadamente no xadrez, cada um com a alma e vibração de campeões do mundo! Nessa quinta versão de um “evento monstro” os problemas logísticos são severíssimos pois envolve lidar com quase 4 mil pessoas no total e oferecer as melhores condições de competição e “curtição” às crianças, seus pais,professores e acompanhantes. É trabalho de dimensões comparáveis ao que se realiza uma Olimpíada de xadrez, mesmo que somente num único dia!
Assim, com mais esses exemplos ilustrativos, reafirmo que essa “conspiração do bem”, em favor do xadrez escolar, se alastra como uma epidemia bem-vinda sobre todo o planeta e contamina e contagia a todos, ajudando a reforçar a base de nosso jogo e formar pessoas mais completas, educadas e felizes!
Xadrez sobre o mundo todo! Belas palavras de ordem!

LUIZ LOUREIRO
fonte: www.fpx.com.br

Um comentário:

Maiakowsky disse...

http://www.youtube.com/watch?v=NLFENGymr34