22/04/2008

01. AFINAL, XADREZ É UMA FERRAMENTA PEDAGÓGICA?

Alguns estudos realizados por pesquisadores do assunto, principalmente a partir dos anos setenta do século passado, como Robert Ferguson, Albert Frank, Johan Christiaen só para citar alguns enumeram aspectos que o aprendizado e a prática do xadrez podem proporcionar a jovens estudantes: desenvolve o poder de concentração, raciocínio lógico, auxilia no aumento significativo da memória e tantos outros já abordados em vários estudos.
A colombiana Adriana Salazar, mestra internacional de xadrez, durante seminário realizado em paralelo ao Pan-americano de Xadrez de 2004 afirma que o xadrez trabalha a atenção, a imaginação, a projeção, a recordação, o pensamento obtido, a percepção de mundo, o planejamento, o rigor mental, a análise sistemática e a matemática. Salazar demonstrou que o xadrez pode trabalhar as seguintes áreas: recreativa, desportiva, intelectual, cultural, ética e emocional.
Levantamento feito pelo Ministério da Educação (MEC) mostrou que a prática do xadrez ajuda no desenvolvimento de habilidades cognitivas, como a memória, o raciocínio lógico e a imaginação. A técnica em assuntos educacionais do MEC, Maria Eneida, que participou do levantamento, fala dos benefícios da iniciativa para os alunos:- "Os estudantes desenvolvem melhor o raciocínio lógico e a criatividade e se concentram mais na hora de aprender matemática”.
Seriam necessários algumas dezenas de blogs como esse para expor tudo o que se escreveu sobre a relação de xadrez e educação. Mas a intenção aqui não é listar teorias, teses e afins mas debater o título desse post. Afinal, xadrez é uma ferramenta pedagógica? Após mais de uma década de ensino de xadrez em escolas, lecionando para turmas que vão do primeiro ano (antigo CA – classe de alfabetização) até o quinto ano do ensino fundamental, com média anual de quinhentos alunos, pude chegar as minhas próprias conclusões que agora divido com os (poucos) leitores desse blog:
- SIM, o ensino sistemático de xadrez aumenta a capacidade de concentração e memorização;
- SIM, favorece o processo reflexivo diante de tomadas de decisão;
- SIM, há uma relação muito estreita entre o aprendizado de xadrez e o desenvolvimento de habilidades matemáticas;
- NÃO, definitivamente o xadrez não é mágico a ponto de fazer surgir crianças com super memórias de forma linear e coletiva.
Sinto-me bastante satisfeito com os resultados obtidos pelo ensino enxadrístico dentro das salas de aula onde pude passar um pouco da minha experiência com esse fascinante jogo. Vale ressaltar que as minhas conclusões não se baseiam unicamente em minhas observações mas, também, em depoimentos de pais e professores de outras disciplinas.
Claro que o debate não se encerra por aqui, senão não haveria o motivo de existir desse blog. Queria apenas me posicionar sobre assunto tão polêmico e convidar outros profissionais a expor suas experiências para que possamos trocar impressões e mapearmos os caminhos que poderemos trilhar para tornar o ensino de xadrez nas escolas cada vez melhor.

PROF. AMORIM

2 comentários:

André Luís disse...

Os comentários do Prof. Amorim estão ótimos e o seu texto muito bom. Aqui apresento o comentário de um simples praticante de xadrez. Gostaria de participar na segunda observação (“- SIM, favorece o processo reflexivo diante de tomadas de decisão”), pois me parece que o xadrez proporciona, também, maior confiança para as tomadas de decisão. Afinal, durante as partidas, os jogadores (e as crianças também) são desafiados a decidir qual lance executar, e depois que o lance é executado, o jogador assume os aspectos positivos e os aspectos negativos da sua escolha. A vida é mais ou menos assim: decidimos e assumimos o compromisso com a decisão. O xadrez é ferramenta pedagógica para o ensino escolar e para a vida futura dos seus praticantes.
André Luís

Amorim disse...

Muito oportuna a observação do André Luís :"... xadrez proporciona, também, maior confiança para as tomadas de decisão. Afinal, durante as partidas, os jogadores (e as crianças também) são desafiados a decidir qual lance executar, e depois que o lance é executado, o jogador assume os aspectos positivos e os aspectos negativos da sua escolha."
O exercício da tomada de decisão traz intrínseco as responsabilidades da própria decisão; como ressaltou André de forma positiva ou negativa. O que me parece fazer com que a prática de xadrez auxilie nesse exercício, é que a cada lance há uma decisão a ser tomada, o que torna uma partida uma maratona de quarenta testes ou mais a serem respondidos pela criança sem ter um adulto que lhe aponte os caminhos ou se responsabilze. Ela decide; ela arca com as consequências da sua decisão. Só isso já seria o suficiente para indicar o ensino do xadrez para jovens em idade escolar.

AMORIM